
A Associação do Fortaleza Esporte Clube realizou nesta quarta-feira (23) reunião com o Conselho Deliberativo. Na ocasião, foram apresentados a Conselheiros e Conselheiras, com total transparência, o panorama financeiro do Fortaleza EC SAF, as transações de atletas das duas últimas janelas e o planejamento do futebol.
Os números mostraram um cenário que exige medidas estruturais. O Clube tem mantido sua operação e os salários em dia, mas precisa de soluções duradouras para equacionar os compromissos acumulados e garantir sustentabilidade e competitividade nas próximas temporadas. Diante desse quadro, o Conselho Deliberativo, por meio de sua Mesa Diretora, comunica que criará uma Comissão de Modernização Estatutária.
O Estatuto Social vigente, aprovado em 2023, contempla expressamente a hipótese de venda majoritária de ações do Fortaleza EC SAF. Nos termos dos arts. 63 (inciso VI), 64 (inciso III, alíneas "a" e "b"), 139 (§6º) e 183 (inciso I), a operação é juridicamente possível, desde que submetida ao rito mais rigoroso do estatuto: Assembleia Geral convocada exclusivamente para esse fim, com aprovação de 85% dos sócios presentes e com comparecimento mínimo de 50% do quadro social.
O estatuto determina ainda que qualquer proposta que altere a participação do Clube na SAF seja acompanhada de: descrição detalhada do negócio; garantias do adquirente; parecer financeiro independente (fairness opinion); análise de crédito e de reputação do investidor; pareceres obrigatórios do Conselho de Orientação e Fiscalização e do Conselho de Ética e Disciplina (art. 184).
Por que modernizar?
O estatuto de 2023 foi estruturado em um contexto voltado, entre outros objetivos, à viabilização de uma participação minoritária de investidores no Fortaleza EC SAF. Esse modelo revelou-se inexequível diante da realidade que se apresentou após sua aprovação. Por isso, as regras atuais não contemplam as proteções jurídicas, institucionais e financeiras compatíveis com a dimensão de uma transação desse porte.
A criação da comissão não representa uma ruptura com o estatuto vigente, mas uma elaboração balizada para o aprimoramento necessário. Seu objetivo é fortalecer os mecanismos de proteção do Clube antes que qualquer proposta seja avaliada, em especial quanto à definição do controle societário e à proteção do patrimônio cultural, imobiliário e simbólico do Fortaleza. O trabalho da comissão é assegurar para todos os sócios e torcedores que cada etapa só avance com as devidas garantias.
A comissão será constituída por portaria da Mesa Diretora do Conselho Deliberativo, com cinco a nove membros selecionados por critérios técnicos, conforme os arts. 82 a 84 do estatuto. A composição será publicada no site oficial, na forma e nos prazos estatutários. Eventuais propostas de alteração passarão pela Comissão de Assuntos Legais e Estatutários e pelo plenário do Conselho Deliberativo antes de serem submetidas à Assembleia Geral dos sócios (arts. 178 a 180).
– Quero ser claro com conselheiros, associados e torcedores: nenhuma decisão foi tomada. Qualquer mudança seguirá o rito previsto no estatuto e só será efetivada com a aprovação dos sócios em Assembleia Geral. Nosso compromisso é conduzir este processo com responsabilidade, respeito à história do Fortaleza e informação clara a cada passo - afirmou o Presidente Associativo do Fortaleza Esporte Clube, José Rolim Machado.
O Fortaleza reafirma seu compromisso com a gestão democrática e profissional e com a transparência, princípios previstos no art. 6º do Estatuto Social, e com a proteção de seu patrimônio histórico e associativo. Esses compromissos orientarão todo o trabalho de modernização.
Fortaleza Esporte Clube
Presidência e Mesa Diretora do Conselho Deliberativo




















